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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Versículos bíblicos que podem ajudar o seu casamento

Mesmo casais que não praticam uma religião podem encontrar na Bíblia válidas orientações para a superação de crises conjugais


 Quando o casamento vive altos e baixos, onde você procura orientação?
O censo de 2010 mostrou que 92% dos brasileiros se vê como religioso. Assim, é comum que muitos se voltem para a religião para lidar com os altos e baixos da vida. Um estudo de 2014 da Universidade de Columbia descobriu que quem pratica uma religião está mais protegido contra a depressão do que quem não pratica. O estudo mostrou que pessoas que valorizam altamente a religião têm um córtex cerebral mais espesso, o que protege a parte do cérebro onde a depressão costuma ocorrer.Voltar o olhar para a Bíblia durante o seu casamento é uma ótima maneira de lembrar a importância das promessas que você fez de permanecer ligado à sua fé e ao seu cônjuge diariamente. Aqui apresentamos alguns versículos bíblicos que ajudarão você no seu casamento, tanto nos bons momentos quanto nos ruins.




Para se lembrar da força do casamento:
– Alguém sozinho é derrotado, dois conseguem resistir e a corda tripla não se rompe facilmente. (Eclesiastes 4, 12)
– Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra.” (Gênesis 1, 27-28)
– O que Deus uniu, o homem não separe. (Marcos 10, 9)
– Desfruta a vida com a mulher amada em todos os dias da vida de vaidade que Deus te concede debaixo do sol, todos os teus dias de vaidade, porque esta é a tua porção na vida e no trabalho com que te afadigas debaixo do sol. (Eclesiastes 9, 9)

Para se lembrar do poder da paciência e do perdão
– Acima de tudo, cultivai, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor cobre uma multidão de pecados. (1 Pedro 4, 8)
– Exorto-vos a andardes de modo digno da vocação com a qual fostes chamados: com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. (Efésios 4, 1-3)
– Sede bondosos e compassivos uns com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo. (Efésios 4, 32)

Para dar o seu melhor na luta contra as tentações
– As tentações que vos acometeram tiveram medida humana. Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças. Mas, com a tentação, ele vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar. (1 Coríntios 10, 13)
– O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros. (Hebreus 13, 4)

Para confiar em Deus nos momentos de dificuldade
– Confia no Senhor com todo o teu coração, não te fies em tua própria inteligência; e em todos os teus caminhos, reconhece-o, e ele endireitará as tuas veredas. (Provérbios 3, 5-6)
– Sê firme e corajoso. Não temas e não te apavores, porque o Senhor teu Deus está contigo por onde quer que andes. (Josué 1, 9)
Nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio. (Romanos 8, 28)
Sim, eu conheço os desígnios que formei a vosso respeito – oráculo do Senhor –, desígnios de paz e não de desgraça, para vos dar um futuro e uma esperança. (Jeremias 29, 11)

A tradução segue a Bíblia de Jerusalém.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

AIDS

O vírus que mudou costumes e matou 25 milhões de pessoas faz um quarto de século. Conheça os detalhes dessa história e saiba como serão as próximas décadas.

Não é sempre que se vê uma pandemia nascer. Mas foi o que aconteceu em 1981 nos EUA. Os hospitais relataram 41 casos de pacientes jovens com sarcoma de Kaposi, um câncer raro que até então se manifestava quase somente em idosos. E apesar de esse mal normalmente demorar anos para se agravar, os novos pacientes morriam pouco tempo depois de entrar no hospital. Um detalhe intrigou os médicos: todos eram homossexuais masculinos. Outros casos surgiram e logo ficou claro que havia uma nova doença, um “câncer gay”, batizado de grid (sigla em inglês para “imunodeficiência relacionada aos gays”). Nos anos seguintes, a doença se espalhou para heterossexuais e mulheres – até então considerados a salvo da epidemia – que haviam passado por cirurgias ou recebido transfusões de sangue. Foi então que a doença ganhou o nome de aids (sigla em inglês para “síndrome da imunodeficiência adquirida”).
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Ainda no início dos anos 80, o vírus já tinha contaminado 89% dos hemofílicos dos EUA. Como não havia um teste para detectar o vírus, quem precisasse de uma transfusão de sangue não tinha muito o que fazer além de rezar para não ser infectado. Em seguida, o mal passou a atingir homens, mulheres, crianças e qualquer grupo social que você puder imaginar. As notícias de novas contaminações, somadas à falta de informações concretas sobre os mecanismos de transmissão, levaram a um estado de pânico. Muita gente se recusava a apertar a mão de alguém contaminado ou ficar na mesma sala, com medo de que a doença se transmitisse pelo ar como uma gripe. Na dúvida, ninguém queria arriscar. Durante o resgate de um acidente nos EUA, os bombeiros se recusaram a atender uma vítima por ela estar contaminada.
Em 25 anos, o HIV matou 25 milhões de pessoas e está presente em outros 40 milhões. É a 2a doença infecciosa que mais faz vítimas no mundo, logo atrás da tuberculose. Só que, ao contrário desta, a aids não tem cura. A epidemia derrubou economias, destruiu populações inteiras e mudou costumes. Por se alastrar também pelo sexo, a revolução sexual dos anos 60 e 70 pisou no freio e deu lugar à era do “sexo seguro”, com a redução do número de parceiros e com o uso de preservativos (em 1986, apenas 8% dos jovens brasileiros afirmaram ter usado camisinha na primeira relação sexual, contra 47,8% em 1998 e 65,8% em 2005). Depois de duas décadas e meia de pesquisa, já sabemos que a aids é causada por um retrovírus, o HIV, e também temos boas pistas de como ela se espalhou pelo mundo e como age. Só não temos a menor idéia de como resolver o problema. Daí a importância de conhecer essa história: os próximos 25 anos não devem ser lá muito mais fáceis do que esses que acabamos de viver.
Do macaco ao homem
Como surgiu a aids? Existem várias teorias, e todas elas aceitam o fato de que o HIV era, originalmente, um vírus que infectava primatas como o chimpanzé, que vivem vários anos com a infecção sem apresentar problemas. Em algum momento, o HIV passou para os seres humanos e começou a fazer estragos. O vírus se aloja nas células do sistema imunológico, que passam a destruir a si mesmas, deixando o corpo sem proteção para qualquer ameaça. Com as defesas do organismo sucateadas, uma gripe, uma pneumonia ou qualquer infecção oportunista podem ser fatais.
A primeira vez que o vírus chegou ao ser humano e começou a se espalhar deve ter sido por volta de 1930, como mostrou um estudo das informações genéticas do HIV liderado pela pesquisadora Bette T. Korber, do Laboratório Nacional de Los Alamos, EUA. Existem várias teorias para explicar como isso pode ter acontecido. Uma delas, a “teoria do caçador”, diz que foi pelo contato direto com os animais. Em certas regiões da África, é costume comer carne de chimpanzé e de outros primatas. Não é muito difícil imaginar que um caçador se machuque e que esse corte ou ferida entre em contato com o sangue da própria caça. Depois dessa infecção inicial, o vírus segue se adaptando e passando de pessoa para pessoa.
Acontece que o vírus deve ter pulado para o ser humano mais de uma vez (veja quadro na página 70), o que abre espaço para outras possíveis origens. A mais polêmica foi publicada em 1999, no livro The River (“O Rio”, sem tradução em português), de Edward Hooper. Ele defende que o vírus teria pulado para o homem por meio de vacinas contra a pólio, aplicadas em massa nos anos 50 na República Democrática do Congo, Burundi e Ruanda. Hooper afirma que as vacinas contra pólio eram feitas a partir de células de chimpanzés contaminados. Hillary Koprowski, responsável pela vacinação, se defende dizendo que utilizou outros macacos, não o chimpanzé. Mas a verdade é que é praticamente impossível provar que a teoria esteja certa ou errada, já que para isso seria necessário analisar todo o material usado na confecção das vacinas há mais de 50 anos.
Mas se o vírus já era presente nos macacos há muito tempo, por que ele só apareceu em humanos no século 20? “Talvez ele tenha feito a transição dos macacos para os humanos outras vezes antes de 1930. Mas é possível que as condições de propagação entre humanos não fossem tão favoráveis, e os focos de pessoas contaminadas tenham simplesmente sido extintos sem passar o HIV adiante”, diz Paolo Zanotto, virologista e professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. As “condições de propagação favoráveis” a que ele se refere são a chave para entender como a aids se tornou uma epidemia mundial – na verdade, uma pandemia – em tão pouco tempo.
Em primeiro lugar, no século 20, as cidades cresceram e o contato entre as pessoas aumentou. Ao mesmo tempo, o sistema de transporte melhorou: vírus capazes de matar humanos ganharam o luxo de viajar de avião e atravessar o mundo em pouco tempo, algo impensável há 100 anos.
E, por irônico que pareça, a própria medicina ajudou as epidemias a se espalharem. Transfusões sanguíneas e o uso maciço de injeções só passaram a acontecer em larga escala no século 20 e funcionaram como meios mecânicos de transmissão do HIV. Algumas tentativas de resolver esse problema – como a introdução de seringas descartáveis – muitas vezes tiveram resultado inverso. Por serem de plástico, essas seringas não podem ser fervidas ou esterilizadas, e, por conta da falta de recursos, muitas vezes são usadas mais de uma vez. Tudo indica que as grandes vacinações do século passado foram feitas com apenas poucas seringas – e, ao que tudo indica, continuam a ser reutilizadas até hoje em grande parte dos centros de saúde de países africanos como Chade, Suazilândia, Uganda e Costa do Marfim. Para piorar, a África Central mantinha nessa época campos de trabalhos forçados que funcionaram como centros de disseminação da aids, em que milhares de pessoas viviam em péssimas condições de higiene, na presença de prostitutas e sendo atendidas por pouquíssimos médicos e seringas.
Se o HIV já estava em circulação havia décadas, como ele só foi dar as caras na década de 1980? É que depois de cruzar a barreira entre espécies para seres humanos, o vírus teria levado um certo tempo para se adaptar e se espalhar a ponto de criar uma epidemia. Bem antes de a aids chegar ao Ocidente, ela já estava crescendo lentamente na África, sem nunca ter sido adequadamente analisada. Só algumas décadas depois, nos anos 70, ela chegou aos EUA onde foi pela primeira vez diagnosticada. Ainda não sabemos como isso aconteceu: há teorias que apontam, como porta de entrada na América, caribenhos que teriam viajado à África e trazido o vírus. O fato é que, capaz de esconder-se no organismo durante anos sem se manifestar, não é muito difícil que o vírus tenha silenciosamente viajado pelos continentes antes de ser detectado.
A grande epidemia
Um problema desse tamanho pedia uma solução à altura. Bilhões de dólares começaram a ser investidos em pesquisas de vírus e foi só então que começamos a entender os truques deles para vencer as defesas do nosso organismo. Os resultados de tantos gastos não foram um sucesso, mas também não foram um fracasso. Temos hoje um coquetel de remédios capaz de atacar ao mesmo tempo vários pontos fracos do HIV, uma estratégia essencial para encarar um parasita capaz de mudar rapidamente e driblar as tentativas de exterminá-lo. Os remédios conseguem reduzir em 99% o número de vírus no organismo, mas o pouco que falta faz a diferença entre a cura e a enfermidade – e é mais difícil de ser eliminado que todo o resto. Alguns retrovírus conseguem se manter inativos por anos dentro de células do sistema imunológico, sem serem afetados pelos anti-retrovirais. Parece até que a pessoa está curada, mas ela continua sendo capaz de transmitir o HIV através de relações sexuais. E, se o tramento anti-retroviral for interrompido, o vírus pode simplesmente acordar e contaminar todo o resto do organismo novamente.
Mas, se no começo da epidemia as pessoas contaminadas morriam pouco após os primeiros sintomas, hoje uma pessoa com HIV tem vários meios de evitar que a doença se manifeste. Tornou-se importante diferenciar uma pessoa soropositiva – que tem o vírus HIV no sangue – de alguém com aids, ou seja, que apresenta alguma deficiência no sistema imunológico. O sucesso dos tratamentos fez até anunciarem que a doença havia deixado de ser fatal para virar um mal crônico, como o herpes ou a diabetes: algo com o qual se tem que conviver mas que, tomados os devidos cuidados, não atrapalha muito a vida.
Essa é mesmo a realidade de muitos brasileiros, mas, nesse caso, nós somos uma feliz exceção. Apenas uma fração mínima da população mundial tem acesso ao tratamento com anti-retrovirais, que ainda é bastante caro. Só para se ter uma idéia, em 2005, o governo brasileiro gastou 800 milhões de reais com medicamentos para 170 mil soropositivos. Devido à atuação eficiente do Ministério da Saúde, todas as pessoas soropositivas podem ser acompanhadas por médicos, e as que têm necessidade de tratamento recebem gratuitamente o coquetel de drogas anti-retrovirais. Também existem postos em que qualquer um pode fazer, anonimamente, o exame de sangue.
Na maior parte do planeta, entretanto, quem tem o HIV muitas vezes morre sem ter acesso a qualquer medicamento. Segundo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids) apenas um em cada 10 africanos que precisam de tratamento recebe alguma assistência, enquanto na Ásia é um em cada 7. E de cada 10 pessoas portadoras do vírus no mundo, apenas uma fez o teste e sabe que está infectada. Sem prevenção, o HIV se espalha, e a África Subsaariana é o exemplo mais radical disso. A região, onde vive 10% da população mundial, concentra 60% de todos os portadores de HIV do mundo. Os números dão uma idéia da catástrofe: na Suazilândia, 43% da população está infectada pelo HIV, e em Botsuana, onde 37% da população está contaminada, a expectativa de vida caiu de 65 anos (entre 1990 e 1995) para 39 anos hoje, por causa da epidemia. “Nos países pobres, uma pessoa doente não tem condições de trabalhar e ainda precisa que seus parentes cuidem dela, o que desestabiliza a família. Alguns países em desenvolvimento viram a economia regredir 50 anos desde o começo da epidemia”, diz Renu Chahil-Graf, representante e coordenadora do Unaids no Brasil. Isso vira um círculo vicioso: com a família em frangalhos, crianças são obrigadas a sair da escola, deixam de aprender fatores de prevenção e se tornam mais suscetíveis a contrair o HIV. Em Botsuana, a previsão é que a diminuição da população economicamente ativa e o aumento no número de órfãos façam a renda per capita cair 13% nos próximos 10 anos. E as próprias crianças estão ameaçadas: a cada minuto, uma é infectada no mundo e outra morre em decorrência da aids.
Os próximos 25 anos
As perspectivas não são boas para quem sofre, além do HIV, de pobreza. Algumas previsões, principalmente para a África, são assustadoras: segundo o Unicef, nos próximos 5 anos o continente vai ter 18 milhões de crianças que perderam seus pais devido à aids. O Unaids afirma que, se não houver investimentos de longo prazo, o número de vítimas da doença pode chegar a 83 milhões em 20 anos, mais de 3 vezes o número total de vítimas do HIV até hoje no planeta.
“A grande esperança na luta contra a aids está nas pesquisas científicas, que podem trazer uma cura ou uma vacina”, afirma Renu Chahil-Graf. Existem boas notícias nesse campo. No final de 2005, uma equipe liderada por David Margolis, da Universidade da Carolina do Norte, EUA, afirmou que o ácido valpróico, uma droga usada no tratamento de epilepsia, parece ser capaz de obrigar os vírus latentes, aqueles que ficam inativos dentro do sistema imunológico, a se desentocar, o que os torna vulneráveis ao tratamento. Pode ser um atalho para a cura, mas, como em toda pesquisa nesse campo, é preciso ter cuidado. O próprio Margolis diz que esse é um resultado importante, mas que ainda são necessárias muitas outras pesquisas para avaliar o efeito desse ácido e transformá-lo em um remédio.
Em um futuro próximo, não há previsão de alcançarmos uma cura ou vacina. Nessa situação, o melhor a fazer é impedir que o vírus se espalhe. “Cada dólar que deixa de ser gasto em prevenção significa despesas muito maiores no futuro, em tratamento ou mesmo em perdas na força de trabalho do país”, diz Chahil-Graf. Os programas de maior sucesso são aqueles que atacam o problema em duas frentes: educam a população em métodos de prevenção e, ao mesmo tempo, investem em tratamento de quem já está doente. Não é muito óbvio, mas faz sentido: segundo a Organização Mundial da Saúde, a prevenção e o tratamento funcionam muito melhor em dupla. Nas muitas regiões onde não existem remédios ou há preconceito contra soropositivos, para que uma pessoa vai querer saber se tem ou não o vírus? A disponibilidade de tratamento funciona como um estímulo para que as pessoas façam o teste de HIV. Em uma região de Uganda, por exemplo, a chegada de remédios fez o número de testes aumentar 27 vezes. E, quanto mais cedo o HIV é detectado, menos se gasta em tratamento e mais dinheiro sobra para campanhas de prevenção, criando um círculo virtuoso.
Mas a lentidão com que essas medidas são adotadas faz com que, depois de 25 anos de batalhas, ainda estejamos perdendo a guerra contra a aids. Em algumas regiões, o preconceito contra soropositivos aliado a tabus sexuais que eliminam a possibilidade de sexo seguro tornam inviável introduzir medidas de prevenção. “Em sociedades em que há discriminação, as pessoas se recusam até mesmo a falar sobre aids e HIV”, diz Chahil-Graf. Pode ser que um remédio ou vacina mude a situação, mas, por enquanto, as melhores armas a nosso dispor são também as mais simples: testes de HIV, uso de preservativos e seringas descartáveis e mente aberta para aceitar os métodos de prevenção. Se não aplicarmos essas pequenas medidas, não teremos melhorado nada desde a época em que alguns homossexuais apareceram com um câncer raro nos EUA. E os próximos 25 anos serão ainda mais terríveis.

A era do sexo seguro

1930
Nessa década, um vírus que costumava atingir primatas africanos, o SIV (vírus da imunodeficiência símia) infecta com sucesso o primeiro ser humano, dando origem ao HIV.
1959
Primeiro caso documentado de morte por HIV. A identificação foi feita décadas depois, em uma amostra de plasma sanguíneo de um homem que morreu onde hoje é a República Democrática do Congo.
1981
Diversos casos de sarcoma de Kaposi e pneumonia atacando jovens gays americanos levam à conclusão de que se trata de uma nova síndrome. No final do ano, já eram 121 casos de pessoas mortas pelo novo mal.
1982
O Centro de Controle de Doenças dos EUA afirma que a doença deve ser causada por uma infecção e passa a chamá-la de aids. Define o grupo de risco como gays, hemofílicos, haitianos e usuários de drogas.
1983
Identificado o retrovírus HIV como o causador da aids. A descoberta foi, depois de muita polêmica, dividida entre Luc Montagnier, de Paris, e o americano Robert Gallo. Os primeiros casos são diagnosticados no Brasil.
1984
Nos EUA um garoto hemofílico de 13 anos, portador do vírus da aids, é expulso da escola, causando uma polêmica nacional. Identificados os primeiros casos de transmissão por relações heterossexuais.
1985
Criado o primeiro teste de sangue para detectar a presença de HIV. Ele funciona identificando os anticorpos para o vírus. Só então os bancos de sangue começam a testar as amostras doadas.
1986
Surge o primeiro remédio para o tratamento da aids, o AZT, que apresenta resultados bem limitados. Ele funciona bloqueando uma enzima essencial para a replicação do vírus, a transcriptase reversa.
1988
A Organização Mundial da Saúde (OMS) institui o 1º de dezembro como Dia Internacional de Luta Contra a Aids. A fita vermelha, símbolo da luta contra a doença, surgiria 3 anos depois.
1991
Uma década depois de ser descoberto, o HIV já infecta mais de 10 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o governo registra 11 805 casos da doença.
1996
Um tratamento conhecido como coquetel de drogas anti-retrovirais aumenta em vários anos a sobrevida das pessoas infectadas. O governo brasileiro passa a dar tratamento gratuito para quem tem aids.
2005
Em todo o planeta, 40 milhões de pessoas vivem com o HIV. Ao longo do ano, 5 milhões de pessoas foram infectadas com o vírus e 3 milhões morreram devido à aids. Dessas vítimas, 570 mil são crianças.

Quantas aids existem?

Várias, e nesse momento, dentro do organismo de alguém, pode estar sendo criada uma nova. É que a aids não é uma epidemia única: existem vários tipos e subtipos de HIV. Parte disso acontece porque o vírus passou dos macacos para homens mais de uma vez. “Foram pelo menos 3 focos. Uma dessas entradas deu origem ao HIV-2, que não veio do chimpanzé, como o HIV-1, mas do macaco-verde africano”, diz o virologista Paolo Zanotto. Temos de 8 a 10 subtipos do HIV-1, e o único lugar em que todos são encontrados é a África, o que reforça a teoria de que foi lá que começou a pandemia. Para piorar, essas variações se misturam. “Quando uma pessoa é infectada ao mesmo tempo por subtipos diferentes, os vírus trocam informações genéticas e criam recombinantes, que podem ser mais bem adaptados à transmissão heterossexual ou mais resistentes às drogas”, diz Zanotto. Acrescente a isso as mutações que o vírus sofre ao se replicar e verá por que é tão difícil dar um tiro certeiro contra a aids: o alvo é móvel.

Para saber mais

And the Band Played On: Politics, People, and the Aids Epidemic - Randy Shilts, Penguin, 1987
E a Vida Continua - Filme de 1993 baseado no livro And the Band Played On
The River: A Journey to the Source of HIV and Aids - Edward Hooper, Little Brown & Co., 1999
www.unaids.org - Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids)

Noni . Você conhece ?


O noni, cujo nome científico é Morinda citrofolia Linn, é o fruto de uma árvore de médio porte originário da Ásia e Polinésia, que se adaptou bem ao clima brasileiro de forma a produzir frutos durante todo o ano.
No Sudeste Asiático o noni é utilizado na medicina popular para o tratamento de diversas enfermidades. Nas últimas décadas, houve um aumento significativo no consumo do fruto e seus derivados no Brasil.
Contudo, o consumo de noni é polêmico no país devido à falta de estudos conclusivos sobre o fruto e seus derivados. Sendo que muitas pesquisas mostraram a toxidade dos sucos e preparações com noni. Por isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA, proibiu a comercialização de qualquer alimento contendo o noni como um dos ingredientes.

Principais nutrientes do noni

A composição nutricional do noni ainda não está completamente concluída. Alguns estudos afirmam que os compostos fenólicos representam o maior grupo de substâncias funcionais presentes neste fruto.
O noni também conta com boas quantidades de vitamina C. De acordo com um estudo divulgado na Revista Brasileira de Tecnologia Agroindustrial em 2014, a análise físico-química da fruta madura apresentou uma quantidade média de 243,16mg de vitamina C em 100 gramas de polpa. Assim, 100 gramas de noni possui 270% da quantidade recomendada de vitamina C em um dia.

Benefícios em estudo do noni

Os estudos disponíveis sobre o noni ainda são inconclusivos em relação aos seus efeitos benéficos ou nocivos à saúde. Por conter substâncias com ação antioxidante existe a possibilidade do noni proteger as células contra a ação nociva dos radicais livres.

Noni ajuda a emagrecer?


O noni pode ser combinado com suco de uva - Foto: Getty Images
O noni pode ser combinado com suco de uva

Não é possível saber se o noni ajuda na perda de peso ou não. Isto porque não existem estudos que foram capazes de comprovar este benefício.
É importante ressaltar que para emagrecercom saúde basta ter uma alimentação balanceada, rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais e carnes magras, reduzir as gorduras, sal e açúcar, ingerir menos calorias e praticar atividades físicas.

Quantidade recomendada de noni

Não há uma recomendação específica estabelecida para o consumo de noni até o momento.
A polêmica do noni

O noni é polêmico devido à falta de estudos conclusivos sobre seus malefícios ou benefícios. De acordo com a ANVISA, os produtos contendo noni não podem ser comercializados como alimentos no Brasil, pois até o momento não apresentaram comprovação de segurança de uso.


A ANVISA proibiu a venda de derivados de noni - Foto: Getty Images
A ANVISA proibiu a venda de derivados de noni

Diversos relatos de casos publicados em revistas científicas indexadas sugerem que o consumo de suco noni está associado a casos de toxicidade hepática. Além disso, um trabalho experimental apresentado no XV Congresso Brasileiro de Toxicologia investigou os possíveis efeitos adversos do extrato aquoso do fruto de noni (Morinda citrifolia) sobre a prenhez e parturição de ratas progenitoras. Os autores concluíram que a exposição ao extrato seco do fruto de noni pode provocar efeitos adversos na gestação desses animais.
Alguns estudos sugerem que as substâncias responsáveis pelos efeitos tóxicos seriam as antraquinonas. A caracterização completa do noni e de seu suco ainda não foi concluída, inclusive em relação às antraquinonas, que anteriormente acreditava-se estar presente apenas em raízes e folhas desta planta.
Noni: consumir ou não?

Como os estudos disponíveis sobre o noni até o momento são inconclusivos, ainda não estão claros os benefícios provenientes de seus antioxidantes e os efeitos nocivos relacionados à sua toxicidade. Por isso, é importante muita cautela ao consumir o noni. Lembrando que os produtos derivados do fruto tem o consumo proibido no Brasil pela ANVISA.

Combinando o noni

O noni possui um sabor e odor bastante intensos, por isso, tem sido consumido com frutas, como a uva, goiaba, limão e maracujá, com a única finalidade de torná-lo mais agradável.

Fontes consultadas:

Nutricionista Carina Tomida Shaletich membro do Conselho Regional de Nutricionistas 3ª Região
Químico industrial Edy Brito, pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Zé Ramalho - Chão de Giz ( Significado)

Explicação dada, em tese, pelo próprio compositor, O GRANDE POETA ZÉ RAMALHO, sobre Chão de Giz:
Ainda jovem, o compositor teve um caso duradouro com uma mulher bem mais velha que ele, casada com uma pessoa bem influente da sociedade de João Pessoa, na Paraíba, onde ele morava. Ambos se conheceram no carnaval. Zé Ramalho ficou perdidamente apaixonado por esta mulher, que jamais abandonaria um casamento para ficar com um “garoto pé -rapado”. Ela apenas “usava-o”. Assim, o caso que tomava proporções enormes foi terminado. Zé Ramalho ficou arrasado por meses, mudou de casa, pois morava perto da mulher e, nesse meio tempo, compôs Chão de giz.
Sabendo deste pequeno resumo da história, fica mais fácil interpretar cada verso da canção. Vamos lá!
“Eu desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz”
Um dos seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz indica como o relacionamento era fugaz.
“Há meros devaneios tolos, a me torturar”
Devaneios e lembranças da mulher que não o amou. O tinha como amante, apenas para realizar suas fantasias. Quando e como queria.
Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúdes”
Outro hábito de Zé Ramalho era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais – lembrem-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais.
“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes”
Pano de guardar confetes são balaios ou sacos típicos das costureiras do Nordeste, nos quais elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, Zé diz que vai jogar as fotos dela nesse tipo de saco e, assim, esquecê-la de vez.
“Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir”
Ele tenta ficar com ela de todas as formas, mas é inútil, pois ela é casada com um homem muito rico.
“Há tantas violetas velhas sem um colibri”
Aqui ele utiliza de uma metáfora. Há tantas violetas velhas (Como ela, bela, mas velha) sem um colibri (um jovem que a admire), dessa forma ele tenta novamente convencê-la apelando para a sorte – mesmo sendo velha (violeta velha), ela pode, se quiser, ter um colibri (jovem).
"Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus ”
Este verso mostra a dualidade do sentimento de Zé Ramalho. Ao mesmo tempo que quer usar uma camisa de força para se afastar dela, ele também quer usar uma camisa de vênus para transar com ela.
“Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro”
Novamente ele invoca a fugacidade do amor dela por ele, que o queria apenas para “gozar o tempo de um cigarro”. Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela um profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarro.
“Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom”
Para quê beijá-la, se ela quer apenas o sexo?
“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…”
Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é impossível tentar algo sério com ela. Entretanto, apaixonado como está, vai novamente à lona – expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas também significa a lona do caminhão, com o qual ele foi embora – ele teve que sair de casa para se livrar desse amor doentio.
“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar”
Amor inesquecível, que acorrenta. Ela pisava nele e ele cada vez mais apaixonado. Tinha esperanças de um dia ser correspondido.
“Meus vinte anos de ‘boy’ – that’s over, baby! Freud explica”
Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (Complexo de Édipo, talvez?).
“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro”
Depois de muito sofrimento e consciente que ela nunca largaria o marido/status para ficar com ele, ele decide esquecê-la. Essa parte ele diz que não vai se sujar transando mais uma vez com ela, pois agora tem consciência de que nunca passará disso.
“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval”
Eles se conheceram em um carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que iria jogar em um pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que já passou seu carnaval (fantasia), passou o momento.
“E isso explica porque o sexo é assunto popular”
Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão popular, pois apenas ele é valorizado. Ela só queria sexo e nada mais.
“No mais, estou indo embora”
Assim encerra-se a canção. É a despedida de Zé Ramalho, mostrando que a fuga é o melhor caminho e uma decisão madura. Ele muda de cidade e nunca mais a vê. Sofreu por meses, enquanto compôs a música.
Toda essa explicação foi dada pelo próprio Zé Ramalho.




terça-feira, 5 de julho de 2016

A sua pontualidade diz muito sobre você. A sua impontualidade, mais ainda

Tenho um amigo, francês, que aqui vou chamar de Pierre. Radicado no Brasil há uma década, Pierre é reputado por seu senso de humor refinado, visão estratégica e predileção por boas cervejas. Quase todas as vezes que marquei algo com Pierre, fosse um almoço, café ou reuniões de trabalho, a pontualidade do brasileiro (ou a falta de) esteve em pauta.
É evidente que, nestes três anos de convívio, devo ter-me atrasado em umas duas ou três ocasiões, afinal, vivo em São Paulo, e ainda que me locomova sem carro por opção, tenho a cidade inteira contra mim quando quero chegar na hora a um compromisso.
Nas ocasiões em que anunciei uma eventual demora, Pierre não perdeu a oportunidade: “Vai se atrasar, né? Como bom brasileiro...”, cutucou ele, rindo.
Sou obrigado a condescender com o francês: a pontualidade por aqui, definitivamente, não é levada a sério. Ainda duvida?
A aula na faculdade começa às 8h? Não corra, a tolerância é de 10 minutos! O escritório abre às 9h, mas ninguém decretará falência se o colaborador chegar às 9h30 (umas duas vezes por semana). O convite da festa infantil marca 15h? Apareça umas 16h que talvez o aniversariante já esteja pronto. Jantar em casa de amigos às 20h? Ninguém te deixará morrer de fome se você se atrasar 20 minutinhos. Em casamentos, inovação: padrinhos agora chegam após a noiva.
Compromissos corporativos não escapam à regra: reuniões, cafés-da-manhã,kick-offs e fechamentos, entre outros, estão sempre, ou quase, sujeitos a  delay.
Isso sem falar dos atrasos dos ônibus, trens, metrôs, aviões, serviços médicos, entrega de mercadorias, de obras...
A impontualidade no Brasil é cultural. Está impregnada em todas as áreas, em todos os níveis.
Pensando alto aqui, me questiono até onde essa falta de compromisso com os compromissos nos leva e nos levará? Os pequenos atrasos do dia-a-dia são exclusivamente pequenos atrasos ou o início de uma grande onda de lama tóxica que arrebata tudo e todos por onde passa? Para ponderar.
pontualidade está sempre entre as características mais marcantes das pessoas bem-sucedidas
Convém lembrar que pontualidade não é favor. Controlar o próprio tempo é uma responsabilidade, entre tantas que permeiam nosso dia. Com a diferença que esta, quase sempre, envolve terceiros. Ser pontual, sendo assim, demonstra respeito para com o outro.
Numa rotina caótica como a nossa, com dezenas de micro compromissos diários e centenas de e-mails para ler na semana, quem controla seus horários com rigor e consegue estar na hora marcada em locais previamente estabelecidos agrega valor a sua imagem, lustra o seu nome e a sua marca.
impontualidade gera desconforto, mancha reputações e, no longo prazo, pode estragar uma carreira
O atraso compulsivo como regra, por sua vez, demonstra exatamente o contrário: a imagem de uma pessoa muitas vezes atrapalhada, que tem dificuldades em cumprir o que promete, refém até dos pequenos obstáculos. No campo profissional, quem se mostra incapaz de gerenciar o próprio tempo, em certos casos, perde até a oportunidade de gerir equipes e projetos maiores.
Chega a ser notável a criatividade daqueles que arrumam tantas desculpas por não comunicar atrasos num mundo interconectado por WhatsApp, FaceTime, Skype, Facebook, SMS e o velho telefone.
Criar um networking consistente, que impulsiona carreiras e negócios, passa primeiro por confiança e credibilidade. E estas não se compram. Se conquistam com comprometimento, excelência e respeito.  
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Marc Tawil
Jornalista, radialista e escritor. Pertenceu às redações do jornal Resenha Judaica, Rádio Jovem Pan AM, Jornal da Tarde (Grupo Estado) e Rádio BandNews FM. Publicou os livros Trânsito Assassino (Ed. Terceiro Nome), Haja Saco, o Livro (Ed. Multifoco) e editou a biografia do advogado Abrão Lowenthal (Ed. Quest). Tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV e cursa MBA de Marketing pela USP. Dirige a Tawil Comunicação.